- Escrito Por: Redação
- Destaques
- 09 outubro 2025
Sérgio Silva, economista de 65 anos, é a aposta da CDU para conquistar a Câmara da Marinha Grande nas Autárquicas de 12 de outubro. Em entrevista ao JMG, o candidato enumera algumas das propostas com que se apresenta ao eleitorado, estabelecendo como prioridades de ação a conclusão das obras e projetos em curso, a ‘normalização’ das relações com as três Freguesias e o apoio ao movimento associativo
Por que razão aceitou o convite da CDU para encabeçar uma candidatura ao Município marinhense?
Foi uma decisão bem ponderada. É visível a olho nu e opinião corrente que a Marinha Grande está já há alguns anos a atrasar-se, comparativamente a outros concelhos, e num processo de desgaste urbano. No período de reflexão, alguém que muito estimo e que sabia do convite disse-me que eu estava em condições de dar um contributo para o desenvolvimento deste concelho e que deveria aceitar. Perante isto e fazendo uma retrospetiva de tudo o que cá tinha vivenciado desde pequenito na Praia da Vieira, a noção da realidade presente, o conhecimento, por também nele ter participado, dum profundo processo transformador no passado recente sob o qual assenta o presente, tudo o que aqui aprendi e que a Marinha me deu, o carinho imenso por estas gentes, só podia aceitar.
Considera que o facto de não ser natural da Marinha Grande pode ter alguma influência nos resultados?
Embora haja uma intensa campanha contra a nossa candidatura, encoberta e à vista, com base nesse argumento por parte das outras forças políticas, creio que, à semelhança de outros similares noutros concelhos, não será o caso.
Acresce uma contínua ligação à Marinha Grande desde longa data com relações pessoais, profissionais e sociais. A minha mundividência, a preparação técnica, a disponibilidade para ouvir e dialogar, o domínio da gestão municipal e o prazer de realizar serão úteis no exercício do cargo.
Quais são as principais propostas que defende para o concelho?
1 - Investir no planeamento e ordenamento do território (planos e obras) e na regeneração urbana (requalificar, criar novos espaços urbanos, embelezar); 2 - reabilitar a habitação devoluta propriedade do município e criar uma bolsa de solos para trabalharmos noutras soluções, em colaboração com o Estado, com cooperativas de habitação se vierem a ser criadas e em parceria com o setor privado; 3 - repensar e revitalizar o centro histórico e o complexo da FEIS; 4 - criar escolas mais acolhedoras, com melhores recreios, proporcionar alimentação de qualidade, promover atividades que contribuam para o desenvolvimento psicossomático e o estímulo ao conhecimento, à criatividade e à iniciativa das crianças e trabalhar em proximidade com a comunidade educativa; 5 - reforçar o papel da cultura e do desporto no processo de desenvolvimento; 6 - a Biblioteca em todo o concelho (e inseri-la no conceito de Biblioteca de Terceiro Lugar); 7 - envolver o movimento associativo (clubes e coletividades em geral) e outros agentes culturais para um papel maior no desenvolvimento social; 8 - tratar a zona desportiva; 9 - juventude com direitos (atividades e infraestruturas); 10 - o novo Mercado da Marinha Grande, pilar de urbanidade; 11 - apoiar o movimento associativo de reformados, pensionistas e idosos e a criação e funcionamento de estruturas de apoio a estas camadas sociais (residenciais, de dia e apoio domiciliário); 12 - melhorar a mobilidade; 13 - memorial de homenagem aos resistentes antifascistas 14 - geminações, instrumento de cooperação social e económica; 15 - trabalhar com a CEFAMOL, a ACIMG e outras associações empresariais com atividade no concelho para promover o desenvolvimento económico; projeto Arte e Economia do Vidro; avançar para novas zonas industriais; colaborar em proximidade com o CENFIM, o CENTIMFE, o CENCAL, o CDRSP, a OPEN e outros.
E quais as prioridades de intervenção?
1 - Concluir o que está em curso; 2 - normalizar as relações com as três freguesias com base no respeito mútuo; 3 - cooperar com o movimento associativo e os outros agentes sociais, culturais e desportivos; 4 - criar condições de trabalho dignas para os trabalhadores do Município e melhorar a gestão municipal; 5 - estabelecer relações de confiança e colaboração de proximidade com a comunidade educativa e as forças de segurança pública; 6 - lutar pela defesa do Serviço Nacional de Saúde e promover a qualificação das instalações públicas de saúde; 7 - elaborar o Plano de Urbanização da Marinha Grande, preparar o concelho para os impactes da Estação de Alta Velocidade na Barosa e acompanhar ativamente os processos das ARU; 8 - melhorar o parque escolar e creches públicas; 9 - avaliar a necessidade de um Centro Escolar na Vieira; 10 - reabilitar os pavilhões do Parque Municipal de Exposições, o Estádio Municipal, incluindo a substituição da pista de atletismo, o Auditório António Campos e o Mercado na Praia da Vieira e a Resinagem, a qualificação do complexo de Ténis; 11 - construir a nova piscina municipal e o Pavilhão da Moita; 12 - melhorar as condições de mobilidade e segurança rodoviária, incluindo uma estação rodoviária; 13 - avançar com o processo para a Variante nascente-norte à Marinha Grande e a Casa-Museu e o Teatro Norberto Barroca; 14 - desenvolver o Museu do Vidro; 15 - Renovar a Galeria Municipal; 16 - levar a ação cultural regular a todo o concelho, retomar as bienais de arte e as Jornadas Desportivas; 17 - melhorar a limpeza pública, avançar com a qualificação do espaço público e uma rede de parques infantis; 18 - intervir no Parque Mártires do Colonialismo; 19 - resgatar o Parque de Campismo da Praia da Vieira; 20 - melhorar as condições e o funcionamento do Centro Empresarial; 21 - iniciar os trabalhos para novas zonas industriais; 22 - integração em projetos internacionais, 23 - estudar fontes de financiamento para os investimentos.
A ausência de respostas da Câmara e a demora na aprovação de projetos têm sido críticas permanentes nos últimos anos. Como pensa resolver estes problemas?
Isso resulta da gestão (organização, ferramentas e métodos), do número de processos que dão entrada numa dada unidade de tempo, do número de trabalhadores afetos aos procedimentos, da forma como são tratados, dos instrumentos de gestão territorial existentes, designadamente de planos de pormenor (que queremos lançar!), de pareceres vinculativos de entidades externas. Temos de atuar em todas estas frentes em simultâneo.
Há uma preocupação: a saída em massa de trabalhadores desiludidos e esgotados, a reviverem um processo já experimentado com o PS.
Agora o maior problema é a gestão do +MpM/Aurélio Ferreira.
Ganhar a confiança dos trabalhadores é uma tarefa que se coloca com acuidade. A CDU, através de ferramentas de gestão, de planos de pormenor, com o empenho e a força criadora dos trabalhadores e no diálogo com a população e os operadores na esfera do imobiliário, vai conseguir.
O PDM acaba de ser revisto, embora com 20 anos de atraso. Já referiu que pretende fazer uma nova revisão. Por que razão?
A atual versão não responde a diversos desafios que nos estão colocados, como, por exemplo, o do comboio de alta velocidade (Lisboa ficará a pouco mais de meia hora), porque há soluções que entendemos não serem as melhores, porque temos de refletir muito bem sobre o futuro que queremos para diversos espaços da cidade, da vila da Vieira e da Moita, o que queremos dos lugares e decidir sobre que turismo queremos e podemos ter em São Pedro e na Praia da Vieira e como devem evoluir esses territórios respeitando a natureza nos domínios geológico, biológico e climático.
Trata-se de rever para melhorar e o rumo da vida vai continuar.
Que visão tem para as três Freguesias?
Três freguesias com especificidades. A Moita só recentemente integrou o concelho, mas tem uma grande proximidade à Marinha Grande. A Vieira integra o concelho desde sempre, mas a distância da sede e a base económica conferem-lhe especificidades, aliás dentro da freguesia há realidades distintas, diferenças entre a vila e a Praia, por exemplo. Nós trabalhamos um território uno e uma população, queremos uma cidadania do Município, sem se perderem as características próprias de cada local e comunidade. Temos uma equação a várias incógnitas para resolver e os censos de 2021 disseram-nos que a Moita e a Vieira perderam população. Queremos o desenvolvimento do concelho de forma territorialmente equilibrada e trabalharemos nesse sentido com os órgãos representativos das freguesias de acordo com os princípios da igualdade, da cooperação e da boa-fé.
Queremos estender a vida cultural regular a todo o concelho e isso pode ajudar a atrair população. A vila da Vieira tem de melhorar a qualidade urbana e a Moita parece querer apostar num território de tranquilidade. A Marinha Grande é a locomotiva.
A segurança é um dos temas na ordem do dia. Concorda com o presidente Aurélio Ferreira quando diz que vivemos num concelho seguro? Porquê?
Em termos estatísticos, a fazer fé nos relatórios de segurança interna, a Marinha Grande integra-se no traço geral da região. Temos, porém, de contar com o exacerbamento dos fenómenos e acontecimentos pelas forças que instigam o medo, o ódio e a violência social, causando danos enormes na imagem que o concelho projeta para o exterior.
A existência de muitos novos habitantes provenientes de outras partes do planeta - essencialmente trabalhadores de que a nossa economia necessita -origina apoquentação em muita gente. É campo fértil para forças tenebrosas instigarem sentimentos de insegurança e mal-estar social, até porque não há políticas de integração na sociedade.
Quando penso na política de miscigenação que Afonso de Albuquerque, no Séc. XVI, introduziu na Índia, obrigando os homens portugueses a relacionarem-se com mulheres indianas, sinto quão horrendos são estes atiçadores de divisões entre humanos.
Carecemos de políticas de segurança pública de proximidade, de mais agentes e mais meios, com condições de trabalho dignas e valorização profissional. Acreditamos que com regeneração urbana, criando espaços públicos bonitos, cuidados, limpos e adequadamente iluminados, e processos de integração e de mútuo conhecimento se estabelecerão a pouco e pouco relações de confiança que tornem a vida de uns e outros mais segura, melhor e mais feliz.
Tenhamos bem presente que sempre houve criminalidade e que esses fenómenos não foram importados nem desaparecem por magia. O maior gerador de segurança é a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e dos reformados.
Com a CDU a Marinha Grande vai ter um novo Mercado? Onde?
Sim, vai ter um novo mercado. Um mercado como espaço de urbanidade, de sociabilidade, de abastecimento e convívio. Se, como esperamos, o povo do concelho nos depositar a sua confiança, iniciaremos de imediato o trabalho para a sua concretização.
Deve ser um local de referência para a cidade e o concelho. Com eles queremos fazer requalificação e revitalização urbana. Pretendemos atrair os residentes e visitantes.
E o projeto da piscina? Vai avançar nos moldes atuais?
O projeto das piscinas vai avançar, até porque tem financiamento bancário já contratado, embora tenha sido num processo, enfim, que pôs o carro à frente dos bois. Quando chegarmos vamos revisitar o projeto com olho clínico. Mas tudo tem de ser claro e com decisões céleres. Temos de virar esta página, há outros projetos necessários a aguardar na linha da tomada de decisão.
O que defende para o associativismo? Como pensa potenciar as infraestruturas das coletividades do concelho?
Nós queremos que o movimento associativo seja de facto um grande parceiro do desenvolvimento. Tem instalações, equipamentos, massa humana, vontade e projetos. É nosso objetivo que instituições democráticas dessa natureza sejam construtoras de uma sociedade mais saudável, mais culta, mais livre e criativa e socialmente mais responsável.
As populações organizadas dessa forma têm um enorme potencial de realização e se são espaços de integração social podem sê-lo também de partilha e conhecimento mútuo entre tradicionais e novos residentes. Na génese marinhense está a mesclagem de trabalhadores de várias proveniências, nacionais e estrangeiras. Foi bonito ver a trabalhar dedicadamente numa festa de uma das nossas coletividades jovens visivelmente com origem noutras paragens. Assim também se faz a integração que a todos enriquece.
O que será para si um bom resultado no próximo dia 12 de outubro?
Um bom resultado no dia 12 de outubro é aquele que permita uma viragem nos destinos da autarquia e que permita à CDU desenvolver o seu projeto para um concelho com melhor qualidade de vida, requalificação urbana e os equipamentos necessários à cultura e desporto. Criar condições para uma mudança tranquila, onde os cidadãos estão no centro das decisões.
Por que razão devem os marinhenses votar na candidatura da CDU?
Porque temos grandes provas dadas no passado (rede de águas, rede de esgotos, escolas, equipamentos desportivos, estações de tratamento de esgotos, renovações urbanas profundas, a Zona Industrial, ruas e avenidas, etc.), porque temos gente que conhece, que sabe o que fazer, é audaz, sensata, plena de energia, com vontade de concretizar, aberta ao mundo, que ausculta, valoriza, envolve as populações, que tem projetos para a juventude e quer uma velhice digna para todos, que quer desenvolver o concelho para melhorarmos as nossas vidas, porque temos um projeto transformador para a Marinha Grande.
Porque com a CDU podem contar com trabalho, honestidade e competência. Damos a cara, somos gente intrépida, determinada e solidária. Temos uma história ímpar de luta pela liberdade, a democracia e o progresso. É com esta gente que podemos construir um futuro de esperança para os marinhenses, vieirenses e moitenses.






