- Escrito Por: Redação
- Sociedade
- 23 julho 2026
Mais efetivos e melhores condições nas esquadras foram alguns dos pedidos deixados por ocasião das comemorações do 152.º aniversário do Comando Distrital de Leiria da PSP, ocorridas no Sport Operário Marinhense, no passado dia 17 de junho, e que contaram com a participação do Secretário de Estado da Administração Interna
Perante um auditório repleto de agentes trajados a rigor, coube ao comandante do Comando Distrital, Domingos Urbano Antunes, na qualidade de anfitrião, iniciar a ronda de discursos.
Aludindo à intempérie que assolou a região no final de janeiro, o comandante referiu que “volvido este tempo todo, parece que tudo corre bem, mas não é assim. A própria polícia continua a ter a sua operacionalidade condicionada em função do estado, quer das instalações quer do nosso pessoal”, concluindo que “os polícias não são extraídos de outro planeta. São de carne e osso”.
Disse esperar que possa haver financiamento para as necessárias obras nas esquadras de Leiria e Marinha Grande afetadas pela tempestade, apelando em particular ao Secretário de Estado. “No ano passado, foi anunciado meio milhão de euros para a esquadra da Marinha Grande, mas nada foi feito e o edifício está a degradar-se”.
Deu conta da saída de 15 agentes para aposentação já este ano e de mais 24 no próximo ano, reclamando o reforço do efetivo policial. “Como estamos na Marinha Grande, podemos pedir ao artesão que comece a fazer polícias de vidro, o que será mais fácil, mas não substitui a carga humana”.
Para o superintendente, a proximidade à população constitui a matriz da polícia e a confiança o seu maior património, enumerando algumas das dificuldades com que os agentes se deparam diariamente, desde logo a elevada carga de diligências, que considerou absurda. Domingos Urbano Antunes revelou que foram realizados no ano passado 3325 inquéritos, com menos investigadores, defendendo uma reforma do modelo de funcionamento para reduzir a carga burocrática ao trabalho da polícia.
Segundo o comandante, a violência doméstica é o crime mais praticado no distrito, com meio milhar de denúncias em 2025, apelando a um Ministério Público “forte e presente”. Em matéria de fiscalização, considerou que o trabalho realizado tem sido “exemplar”, com 1668 cidadãos estrangeiros fiscalizados e 15 detidos. Realçou a aposta na prevenção e no trabalho de proximidade, com a implementação de programas especiais na relação com os cidadãos e as instituições presentes no território.
Neste domínio, congratulou-se com a criação do posto da PSP no Hospital de Santo André que, praticamente um ano depois, permitiu a redução das ocorrências, bem como do projeto iniciado com o Politécnico de Leiria e que no próximo ano letivo será implementado.
Projeto com idosos arranca em julho
O comandante distrital anunciou ainda o lançamento, já em julho, de um projeto para monitorização de idosos com demência, a desenvolver em parceria com o grupo Jerónimo Martins e as autarquias de Marinha Grande, Leiria e Pombal, que permitirá acionar as autoridades policiais e de emergência em caso de necessidade. O projeto piloto pretende atuar sobretudo nas situações de idosos sós, e com demência, e deverá abranger, numa fase inicial, duas centenas de pessoas.
Anunciou ainda a vontade de criar um programa de saúde ocupacional para reduzir o absentismo laboral e melhorar a aptidão física e mental dos polícias, que deverá arrancar até ao final do ano, e deu conta do estabelecimento de um protocolo com o Município de Leiria para a cedência de uma viatura de duplo uso, que funciona como unidade móvel de atendimento e posto móvel de comando técnico, com videovigilância e internet via satélite.
O comandante referiu também a necessidade de avançar com a terceira fase do sistema de vídeo proteção da cidade de Leiria com recurso à inteligência artificial, admitindo não ser possível controlar 61 câmaras ao mesmo tempo, frisando que “a presença humana da polícia não deve ser ignorada” e apelando à criação de polícias municipais como complemento das forças de segurança.
Ao representante do Governo, pediu ajuda “para nos podermos reerguer”, vídeo vigilância para esquadras, a revisão da autonomia financeira dos comandantes e a agilização nos procedimentos de contratação de efetivos.
Paulo Vicente quer mais polícias
Seguiu-se o presidente da Câmara da Marinha Grande que recordou, na sua intervenção, os dias de “enorme exigência” vividos no território após a tempestade Kristin, agradecendo a presença da PSP, nas ruas e junto das populações. “Esteve presente onde era necessário garantir segurança, apoio, coordenação e confiança”.
Ao Secretário de Estado, Paulo Vicente apelou a que olhe para os desafios do presente e do futuro, afirmando que “os cidadãos pedem proximidade, mais prevenção, mais presença no terreno e uma resposta cada vez mais rápida e eficaz. A Marinha Grande não é exceção”. O presidente deu conta do crescimento populacional, da dinâmica económica e dos novos desafios sociais, que “exigem um reforço contínuo da capacidade operacional das forças de segurança”, assinalando “a necessidade urgente de reforçar os efetivos da PSP afetos ao concelho”, bem como a requalificação da esquadra da PSP local.
Já o Diretor Nacional da PSP, Luís Carrilho, enalteceu o “elevado espírito de missão” dos homens e mulheres da PSP nestes 152 anos de existência do Comando, que se soube adaptar às mudanças da sociedade e manter-se fiel aos seus princípios. Apelou aos presentes para que exortem todos a concorrerem à PSP, anunciando que existe um concurso aberto, e que a PSP “oferece uma carreira extremamente aliciante, do ponto de vista nacional e internacional”.
Coube ao Secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, encerrar a série de discursos, enaltecendo o trabalho das forças de segurança. Em resposta aos apelos feitos, afirmou que, no Governo, “sabemos que as condições não são ideais, temos consciência das dificuldades e estamos a trabalhar com afinco para poder resolvê-las”.
A cerimónia encerrou com a atribuição de medalhas e louvores, nomeadamente aos agentes da esquadra da Marinha Grande, agente principal Rui Branco (comportamento exemplar - ouro); e agente coordenador Margarida Ribeiro (que se aposentou).
De referir que o Comando Distrital da PSP abarca os concelhos de Marinha Grande, Leiria, Pombal, Nazaré e Peniche.






