- Escrito Por: Redação
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- 09 agosto 2023
Há 90 anos a fazer história na Freguesia de Vieira de Leiria, a Biblioteca de Instrução Popular (BIP) mantém uma dinâmica cultural invejável e não faltam projetos nem ideias à sua direção, liderada por Catarina Barreto. Em entrevista ao JMG, a jovem presidente dá conta dos festivais – do petisco e do folclore – que se vão desenrolar nas próximas semanas, e sugere a criação de um “verdadeiro programa cultural” para todo o ano, sob a batuta da Junta de Freguesia e em colaboração com as associações locais
A BIP, ao longo dos seus 90 anos de existência, tem sido um pilar da comunidade local. Que balanço faz da atividade e do papel que esta instituição tem tido na Vieira?
A BIP tem um importante papel junto da comunidade vieirense, sendo uma instituição muito respeitada por todo o trabalho desenvolvido ao longo dos seus 90 anos de existência.
Teve os seus pontos altos, mas também alguns de menor vigor, o que é natural, tendo em conta a evolução do associativismo a nível nacional. Porém, apesar de dificuldades pontuais, houve sempre alguém que não desistiu e apostou na aposta manter em funcionamento a mais antiga coletividade local.
Ao longo de anos, foi o ponto de contacto de muitos vieirenses com o livro, com o teatro, com a pintura ou com o debate de ideias, além da outra vertente, também muito importante a nível social, como as festas e os bailes, sempre com casa cheia e que ainda hoje motivam saudades de quem viveu esses momentos.
O reconfortante, aos 90 anos desta casa, é ver que a Biblioteca ainda tem um papel a desempenhar na sociedade a atual, com novos métodos, com novos objetivos, mas sempre no sentido do enriquecimento cultural da Vieira e dos vieirenses.
Sobretudo no último ano e meio, a BIP tem assumido grande pujança cultural, com a realização de inúmeras iniciativas. O que podemos esperar nos próximos meses?
No dia 11 de agosto iremos realizar o I Festival do Petisco, que esteve programado para 16 de julho do ano passado, mas que, devido às condições climatéricas teve de ser adiado. Pensamos que vai ser uma iniciativa a repetir anualmente.
No dia seguinte, 12 de agosto, realizaremos o XXXV Festival Nacional de Folclore, evento interrompido nos últimos anos devido à pandemia de covid-19. É um evento que tem como pedra base o Rancho Folclórico “Peixeiras da Vieira”, uma das valências da BIP, e que, como embaixador dos costumes e tradições locais tem levado o nome da instituição e da Vieira a todo o país e ao estrangeiro.
Os dois festivais vão decorrer no Largo dos Pescadores, na Praia da Vieira, e estamos certos de que constituirão momentos altos da animação na nossa praia durante esta época balnear.
No dia 24 de setembro, teremos mais uma novidade, a realização do I Passeio de Carros Clássicos da BIP, que levará os participantes a conhecerem não apenas a nossa freguesia, como todo o concelho.
Este evento vai mobilizar muitas dezenas de pessoas, tendo em conta o interesse que tem vindo a ser manifestado por potenciais participantes, interessados em mostrar as suas máquinas.
Até 30 de setembro, continua, entretanto, a decorrer o prazo de entrega de originais para o Concurso de Conto e Poesia da BIP, e aproveitamos para fazer o apelo a todos os autores, para que retirem das gavetas os originais que ali têm depositados, pois eles merecem ver a luz do dia.
De que forma colaborou a BIP nas comemorações do 38.º aniversário da elevação de Vieira de Leiria a Vila?
Com a inauguração da “Guarita de Leitura”, um projeto da autoria da coordenadora da Clube de Leitura da BIP, Joana Guerra, surgido em março, que a Junta de Freguesia “agarrou” de imediato, estabelecendo uma parceria com a Biblioteca.
Trata-se de uma minibiblioteca, de utilização livre, com regras de utilização muito simples, que radicam na escolha, leitura e devolução de um livro, num processo que se deseja seja repetido o maior número de vezes possível.
A estrutura – uma réplica das guaritas das Matas Nacionais – está colocada no Jardim do Largo da República, disponível para fruição de todos, crianças, jovens e adultos.
A BIP “alimenta” a guarita de livros – estando o espaço aberto a que qualquer pessoa ali coloque livros seus para que outros possam desfrutar da sua leitura -, enquanto a Junta de Freguesia construiu a estrutura e cuida da sua manutenção.
É um projeto em parceria que visa apenas proporcionar o acesso livre da população a livros e à leitura.
E, por tudo isto, pareceu-nos fazer todo o sentido fazer a sua inauguração no dia do aniversário da elevação da Vieira a Vila.
A Biblioteca de Instrução Popular dispõe de instalações próprias. De que forma está a ser dinamizado o vosso espaço?
Como instituição que vive, essencialmente, das quotizações dos seus associados, é para eles que são dirigidas as nossas principais preocupações.
Tentamos ir ao encontro dos seus anseios, abrindo as portas a múltiplas atividades de índole cultural, como aulas de piano ou pintura, bem como apresentação de livros, noites temáticas de Jogos de Tabuleiro Modernos, funcionamento do Clube de Leitura, o funcionamento do Rancho “Peixeiras da Vieira” e o tradicional, embora cada vez menos procurado, levantamento de livros do vasto espólio que possuímos.
Como complementaridade, temos a funcionar nas nossas instalações aulas de pilates, karaté ou meditação.
Exposições e conferências fazem parte, também, regularmente, da programação da Biblioteca de Instrução Popular, cujas instalações estão abertas diariamente no horário 14:30/18:30 e 19:30/21:30.
“Instruir é construir” é vosso lema. Tem sentido apoio por parte das entidades oficiais na prossecução deste desígnio?
Sim, de uma forma geral - e embora o desejo fosse que os apoios atingissem valores superiores -, sentimos apoio quer por parte das entidades autárquicas, quer da própria população.
Tentamos, também, promover iniciativas realistas, que sejam, ao mesmo tempo, de interesse para a comunidade em que nos inserimos, bem como obterem de imediato a adesão das entidades que nos possam apoiar na sua concretização.
Foi o caso da Guarita de Cultura, esta semana, com a Junta de Freguesia, ou dos Festivais do Petisco de Folclore, em agosto, com a Junta e também com a Câmara Municipal da Marinha Grande.
Esta forma de trabalharmos tem também como fim respeitar o legado dos fundadores desta casa que, em 1932, a criaram com o objetivo de proporcionar o acesso à cultura aos que o não tinham. E nós queremos que o lema “INSTRUIR É CONSTRUIR” esteja bem vivo por muitos mais anos.
Enquanto vieirense, e responsável por uma das inúmeras associações existentes na Vieira, que obra/projeto gostaria de ver nascer na Freguesia?
A Vieira está “adormecida”, tendo-se tornado, em parte, nos últimos anos, apenas num dormitório para muitos.
Há a necessidade de investir em espaços comuns, em eventos focados na Vieira, que façam com que os vieirenses não “fujam” para outros locais, porque não lhes são proporcionadas as atividades de cultura e lazer que anseiam.
Penso que seria altura de, com a coordenação da Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, podermos ter um programa contínuo de atividades envolvendo todas as coletividades e associações. No fundo, ver a Vieira a mexer durante todo o ano, com atividades, por exemplo, quinzenais, com organização das diferentes associações, mas com um programa estruturado, pensado, debatido, que não seja apenas uma manta de retalhos, com multiplicação de festivais de sopas ou bailes populares.
Não tenho dúvidas de que a Junta de Freguesia não se negaria a agarrar a coordenação de um verdadeiro programa cultural para a Vieira envolvendo todo o movimento associativo local. Fica a ideia.






