Alunos de sete países apresentaram, na Marinha Grande, os resultados do trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo sobre alterações climáticas, biodiversidade e qualidade do ambiente

 

O Agrupamento de Escolas Marinha Grande Nascente promoveu, no passado dia 3 de junho, no Edifício da Resinagem, a conferência “Bio-Alert: What Nature is Telling Us”, integrada no programa Erasmus+ e dedicada às alterações climáticas, adaptação e biodiversidade.

A iniciativa, realizada em inglês, inseriu-se no projeto Racine+, subordinado ao tema “Espécies nativas e invasoras”, e contou com a participação de alunos da Escola Secundária Pinhal do Rei e de estabelecimentos de ensino de França, Itália, Polónia, Estónia, Sérvia e Roménia. Durante a sessão, os estudantes apresentaram os resultados do trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo na área do ambiente.

Na sessão de abertura, Dora Anjinho, coordenadora do projeto Erasmus+ em Portugal, destacou a importância do programa e do trabalho realizado para a consolidação de conhecimentos. Já Carla Santana, vereadora da Educação da Câmara da Marinha Grande, deu as boas-vindas aos participantes, enquanto Nuno Cruz, diretor do Agrupamento de Escolas Marinha Grande Nascente, salientou o compromisso da instituição com a sustentabilidade e a eficiência energética.

Ao JMG, Nuno Cruz explicou que a conferência representou o culminar de um projeto “que envolveu muito trabalho, mas que também contribuiu para abrir a mente dos alunos, tornando-os europeus e projetando o futuro”.

O presidente da Câmara, Paulo Vicente, manifestou o seu apreço pelo trabalho desenvolvido na sensibilização ambiental e defendeu a publicação dos resultados do trabalho internacional realizado, “para que a sociedade reconheça o seu valor”, desafiando os alunos a continuarem a trabalhar nesta área e a regressarem ao concelho para verem “uma cidade reconstruída”.

A conferência prosseguiu com as apresentações das equipas dos diferentes países e incluiu a atuação de Inês Santos, aluna da Pinhal do Rei, que apresentou uma coreografia da sua autoria. A estudante considerou a participação no projeto enriquecedora, por permitir a aquisição de conhecimentos culturais e ambientais e o desenvolvimento de competências linguísticas.

“Uma aprendizagem constante”

 

A sessão ficou ainda marcada por uma palestra de André Fonseca, do Laboratório de Biociência e Tratamento de Águas do Politécnico de Leiria, sobre a utilização de macroinvertebrados como bioindicadores da qualidade dos cursos de água. O investigador apresentou os métodos de análise e explicou os efeitos das atividades humanas nos ecossistemas aquáticos, estabelecendo um paralelismo entre a ciência e o Erasmus+, áreas que, segundo referiu, evoluem através da colaboração, curiosidade e partilha de conhecimento.

Anabela Veiga, responsável pelo Laboratório de Geotecnia e Vias de Comunicação do Politécnico de Leiria, apresentou, por sua vez, o projeto “Breathe In”, desenvolvido com André Fonseca e Sandra Mourato, sobre a qualidade do ar em espaços interiores e a necessidade de ventilar regularmente salas de aula, locais de trabalho e habitações.

Dois alunos da Escola Secundária Pinhal do Rei deram a conhecer um projeto sobre a qualidade do ar nas salas de aula, identificando alguns dos compostos presentes e propondo medidas para reduzir os níveis de poluição e melhorar o bem-estar da comunidade escolar.

À margem da sessão, Fabrice Tondeur, coordenador do programa Erasmus+, referiu ao JMG que a conferência permitiu “ouvir diferentes vozes e partilhar experiências”, promovendo a aprendizagem entre gerações e o apelo à ação. Sublinhou ainda a importância de debater a degradação ambiental na Marinha Grande, tendo em conta os fenómenos climáticos que afetaram recentemente a região.

Thomas Claverie, estudante francês, afirmou ao nosso jornal que o Racine+ ajuda os jovens a compreender as alterações climáticas e a procurar soluções conjuntas, podendo gerar um “efeito bola de neve” junto das novas gerações.

A professora Ana Baio, da Pinhal do Rei, explicou que ao longo do projeto os países participantes organizaram conferências com a presença de alunos e docentes das escolas envolvidas. Agradeceu o apoio das famílias de acolhimento, da Câmara e das restantes entidades que contribuíram para a realização da iniciativa, considerando que o projeto constitui “uma fonte de aprendizagem, em que a cultura está ao rubro numa aprendizagem constante”.