A Marinha Grande recebe, no próximo sábado, 7 de novembro, a iniciativa "Ágora Maio", que pretende promover o debate sobre as condições de vida e de trabalho, nove meses depois da passagem da tempestade Kristin

 

O encontro decorre entre as 15h45 e as 20h, no auditório da Biblioteca Municipal, reunindo intervenções sobre cultura, mobilidade sustentável e indústria vidreira, além da apresentação do Jornal Maio e da Escola José Fontana - Trabalho, Cultura e Liberdade.

Segundo Luís Manuel Silvestre, um dos responsáveis pela organização, o objetivo é reunir cidadãos, associações e diferentes agentes da comunidade para refletir sobre os problemas que afetam a população. "Esta iniciativa pretende só juntar pessoas, agregar pessoas, agregar vontades, sem qualquer perspetiva política ou partidária", afirmou ao JMG.

 

A componente cultural estará a cargo da Associação Folhas Platónicas, com a apresentação da peça "Depois da Tempestade", interpretada por Carolina Santarino e Miguel Linares. Para a atriz, a cultura deve contribuir para a reflexão e a aproximação entre as pessoas, mesmo perante as dificuldades provocadas pela intempérie. "Não temos casa? Trabalhamos na rua", recordou, a propósito dos danos na Casa-Museu Afonso Lopes Vieira, em São Pedro de Moel.

 

Também Miguel Linares destacou a solidariedade recebida depois da tempestade, que obrigou a família a abandonar a habitação durante três meses. "Houve preocupação de muita gente, mas em termos de ação foram os cidadãos desconhecidos", afirmou, defendendo a importância da entreajuda.

A mobilidade sustentável estará igualmente em destaque, com a apresentação de seis roteiros de cicloturismo desenvolvidos por Paulo Guerra dos Santos, criador do Projeto Ecovias. Os percursos abrangem vários pontos dos concelhos da Marinha Grande e Leiria, incluindo uma rota circular de cerca de 104 quilómetros, e estão disponíveis gratuitamente em www.ecovias.pt. Segundo o responsável, o objetivo é dar "um pequeno contributo para promover a região", valorizando o seu património natural e cultural.

A realidade dos trabalhadores da indústria vidreira será abordada por Gil Ferreira, delegado do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira, que considera necessário um maior reconhecimento das dificuldades e riscos associados à profissão. "Entre as profissões penosas e insalubres, a profissão de vidreiro foi sempre desconsiderada", afirmou.

O encontro contará ainda com a participação da historiadora Raquel Varela e de Clara Ribeiro, ligadas ao Observatório para as Condições de Vida e Trabalho e ao Jornal Maio. Esta será a primeira sessão "Ágora Maio" realizada fora de Lisboa, procurando incentivar a participação dos cidadãos e a criação de um núcleo local de colaboradores e correspondentes daquele projeto de comunicação. A iniciativa terminará com um momento de convívio.