Se uma das suas excentricidades é adquirir as piscinas oceânicas de S. Pedro de Moel, pois bem, saiba que tal já é possível: basta pagar 6 milhões de euros pelo terreno ou 23 milhões de euros caso pretenda transacionar a obra já concretizada. Mas vamos ter que aguardar ainda algum tempo pela licença para iniciar as obras, previstas para o final do ano, se tudo correr bem


O complexo, com área turística e apartamentos residenciais, foi aprovado no passado mês de março pela autarquia da Marinha Grande para recuperar as tão ambicionadas piscinas de São Pedro, que hoje estão votadas ao mais puro abandono, absolutamente irreconhecíveis.

Para já, tiveram luz verde os pedidos de informação prévia com vista à reconstrução e alteração do complexo, 11 anos após o seu encerramento ao público.

A reunião do executivo que aprovou o projeto decorreu no Edifício do Cosmos Azul e Mar, precisamente em São Pedro de Moel, e contou com a presença de alguns populares que quiseram saber, em primeira mão, quais os planos do promotor, o Grupo Oliveiras, para revitalizar um espaço que há vários anos se encontra ao abandono e que a generalidade da população pretende ver reabilitado.

Assim, e no âmbito da apreciação do respetivo Pedido de Informação Prévia, foram dadas a conhecer as intenções da empresa proprietária do espaço para a construção do novo Complexo Turístico das Piscinas, que manterá a piscina principal aberta ao público, compreenderá uma área de alojamento turístico e a construção de 14 apartamentos residenciais na encosta.

Na ocasião, o presidente da Câmara da Marinha Grande, Aurélio Ferreira, mostrou-se satisfeito com a aprovação do referido pedido, lembrando “a grande importância que representa a requalificação das Piscinas de São Pedro de Moel, para devolver a dignidade de um local que faz parte da memória coletiva dos marinhenses e de todos aqueles que recordam este complexo pelas férias que ali viveram”.

O autarca lembrou que, após o encerramento do complexo, em 2013, “muitas foram as tentativas de concretizar a sua requalificação, infelizmente sem sucesso”, explicando que “nos últimos dois anos, intensificámos os esforços e a estreita colaboração do Município com a Agência Portuguesa do Ambiente e a Gestoliva Imobiliária SA, para se encontrar uma solução viável, sustentável e que respeite os instrumentos de planeamento do território”.

A proposta apresentada dá conta de “um complexo turístico moderno, com uma arquitetura leve e contemporânea, integrado na paisagem, que vai ao encontro das mais exigentes práticas de sustentabilidade ambiental. É um projeto que respeita a História, os valores e o carisma de São Pedro de Moel. É um projeto aberto a todos, que vai manter a piscina aberta ao público veraneante, como queria o seu primeiro fundador”, acrescentou o presidente.

“Reabilitar o Complexo de Piscinas de São Pedro de Moel será a concretização de um objetivo e de um sonho, não apenas para a empresa detentora do imóvel, mas também para o Município e para toda a comunidade, que vai requalificar e embelezar a praia de São Pedro de Moel, aumentar a oferta hoteleira, criar postos de trabalho e dinamizar a economia”, referiu ainda o autarca.

Coube ao arquiteto Paulo Reis Silva, da empresa Saraiva + Associados, apresentar as principais ações de recuperação do edifício existente, que visa recuperar o conjunto antes construído, inserido na encosta, recuado em relação ao mar.

Mantém-se o uso de serviços turísticos, com a instalação de um empreendimento de 15 apartamentos turísticos de tipologia T1 e T2, com classificação de 3 estrelas, um ginásio e um kids club. O novo edifício reduz a sua área de construção e redefine o seu volume, assegurando uma maior harmonia com o espaço envolvente. Incluirá piscinas exteriores, espaço de solário, área de animação infantil e um restaurante com esplanada.

A zona sul é reservada às piscinas, com um grande plano de água e com a piscina de saltos transformada em chapinheiro para crianças, mantendo as pranchas como memória. A piscina grande será redimensionada numa outra configuração.

O segundo pedido de informação prévia aprovado diz respeito à construção de um conjunto habitacional, no terreno que confina a nascente com o Complexo das Piscinas, composto por 14 apartamentos, de tipologias T2 e T3, em dois pisos e um piso de cave de estacionamento para 33 lugares (3 dos quais para mobilidade reduzida). Foi referido que o edifício ficará ao nível da via marginal, não impedindo as vistas, e enquadrado com o outro edifício e o espaço natural envolvente.

Na ocasião, quer os vereadores eleitos pelo PS como as vereadoras da CDU manifestaram a sua preocupação com a garantia de que o espaço das piscinas possa continuar a ser de utilização pública. Pois bem, esses receios podem vir a colocar-se no futuro pois o projeto, ao que apurámos, está à venda.

Projeto vale 6 milhões

O Jornal da Marinha Grande apurou que o projeto apresentado e aprovado em reunião de câmara está à venda numa agência imobiliária de luxo, em Lisboa, pelo valor de 6 milhões de euros. Quem pagar este valor ficará com os 18.000 m2, localizados numa zona privilegiada com vista para o mar onde poderão ser edificados 15 apartamentos residenciais e 14 apartamentos turísticos.

Mas caso pretenda receber o empreendimento executado, o promotor constrói e entrega o imóvel ao cliente pelo valor de… 23 milhões de euros. Ou seja, cada fração terá um preço muito próximo dos 800 mil euros.

Excentricidades à parte, as piscinas de S. Pedro de Moel estão à mercê de um investidor, quiçá vindo das arábias, que aqui queira investir milhões num projeto que é vital para o futuro da nossa “pérola do oceano”.

O Grupo Oliveiras, contatado pelo JMG, não respondeu até ao fecho desta edição às questões colocadas sobre este assunto.