Aqui na Marinha Grande, a esmagadora maioria das empresas actua nos sectores de bens transaccionáveis e muitas delas nos mercados externos. São geralmente empresas profissionalizadas, que não dependem dos favores do Estado para a sua sobrevivência, antes são esmagadas pelo Estado com impostos, burocracia e custos acima dos valores do mercado internacional, como  na energia e nas telecomunicações.

O mesmo não acontece com muitas das  empresas ligadas ao Estado, cujo número não cessa de crescer. Funcionários públicos e pessoas ligadas às autarquias, ministérios e empresas públicas, têm criado um número infindável de empresas, muitas delas de vão de escada, que envolvem familiares, amigos e parceiros bem colocados em funções públicas, cujo objectivo é conseguir contractos e encomendas do mesmo Estado. Frequentemente, os contractos saltam de empresa em empresa, os pagamentos dão voltas e voltas entre as diferentes firmas, por vezes com a ajuda de off – shores, o que torna quase impossível seguir o rasto do dinheiro. Raramente pagam impostos e muitas acabam na falência, não pagando a credores e trabalhadores.

O amigo de José Sócrates e ex-administrador do Grupo Lena, Carlos Santos Silva, tem sociedade, de acordo com o jornal Público, em cerca de sessenta empresas, uma situação típica do modelo descrito. Muitos dos sócios estão nas autarquias, universidades e empresas públicas, ou são próximos de quem está. As vendas dessas empresas resultam quase exclusivamente de contractos públicos e, também aqui, seguir o rasto do dinheiro não é fácil. De acordo com o mesmo jornal, apenas da empresa Parque Escolar, inventada por José Sócrates, os contractos excederam os duzentos milhões de euros.

Algumas das empresas deste estranho mundo empresarial já faliram, deixando os credores pendurados e os trabalhadores sem salário e sem indemnização. Todavia o sócio principal, Carlos Santos Silva, foi apanhado com vinte e cinco milhões de euros na Suíça, dinheiro que, aparentemente, tem alimentado os gastos do ex-primeiro ministro, ao ponto de nem um nem o outro saberem a quantia certa. É o que se pode chamar ter um bom amigo.

Na semana passada, o jornal Expresso publicou na sua página 3 uma história semelhante, passada com o actual Secretario de Estado do Mar, o qual, aparentemente, não tem empresas, mas facilita a vida de quem as tem, tudo gente que lhe é próxima, pessoal e profissionalmente. Neste caso trata-se de contractos com Angola, em que os serviços prestados, em vez de serem vendidos por instituições do Estado, são fornecidos por empresas privadas, em que os especialistas utilizados são, frequentemente, os mesmos.

No processo dos vistos Gold a situação parece ser a mesma. As diferentes instituições envolvidas são dirigidas por amigos comuns, alguns deles em prisão preventiva, sendo que as empresas que foram criadas para servir chineses e russos, foram constituídas por familiares e amigos desses funcionários de topo da hierarquia  da administração pública.
É desta forma que se fazem fortunas em Portugal, através de funcionários sem escrúpulos que envolvem os seus familiares e amigos na criação de empresas, cujo único objectivo é espoliar o Estado para quem trabalham, que o mesmo é dizer que roubam  todos os portugueses que pagam os seus impostos.

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