Na primeira semana de março, o Sr. Presidente Aurélio Ferreira e a sua entourage especializada em propaganda, montaram um circo mediático em S. Pedro de Moel, para, em conjunto com os novos donos da Promoel, apresentarem uma solução para o espaço onde, durante anos, pelo menos três gerações viveram momentos marcantes das suas vidas


Para que o impacto do anúncio tivesse alguma repercussão, personalizou alguns convites a individualidades conhecidas da nossa praia, bem como a diversos órgãos de comunicação social.

Para quem assistiu, e eu estive lá, resulta claro que o MpM não tinha solução nenhuma para aquele abscesso que os Gift tão bem denunciaram no seu vídeo clip, quando, a duas semanas das eleições, enganaram os marinhenses com cartazes a garantir que eles já sabiam como resolver aquele impasse, que a todos envergonhava. Aurélio Ferreira, atualmente presidente, cavalgou uma grosseira mentira para captar votos e ganhar eleições.

O que aconteceu, de facto, foi que o episodicamente Presidente da Câmara assumiu o papel de intermediação imobiliária com o promotor, cujo único e legítimo interesse, era o lucro resultante da venda das moradias em parcela destacada, sem acautelar, juridicamente, o interesse público do complexo turístico proposto para a outra parcela, onde está a piscina oceânica, que foi despromovida a um tanque com metade do espelho de água que existia.

Para quem tem dois dedos de testa e saiba fazer contas básicas, o Complexo Turístico proposto não tem viabilidade económica, mesmo nos melhores cenários, porque não garante, sequer, o retorno do capital a investir.

Para mim e para muitos que, como eu, sabem somar 2+2, o recente anúncio de que o promotor tinha os lotes à venda por 6 MILHÕES com projeto aprovado ou 24 MILHÕES, chave na mão, é revelador dos interesses especulativos gerados à volta daquilo que foi, em 1958, um projeto altruísta a que alguns marinhenses deram forma.

Tal como escrevi em março, a propósito da mediática apresentação das propostas para o espaço da Promoel, após a montagem do Circo e dos malabarismos dos artistas, chegou a hora de desmontar a tenda, apagar as luzes e voltar a repensar o futuro, porque o presente não serve os interesses da nossa comunidade.

Armando Constâncio

Ex-Vereador da CMMG