Afinal, o PSD da Marinha Grande vai mesmo ficar de fora da corrida à Câmara Municipal nas próximas Autárquicas. E apesar de não concorrer terá de apoiar… Aurélio Ferreira

 

Após a notícia publicada na última edição do JMG, dando conta da vontade de Carlos Caetano – recém-eleito presidente da Comissão Política de Secção (CPS) do PSD da Marinha Grande – de ir a votos com listas próprias nas próximas Autárquicas, o partido de Luís Montenegro é categórico: a decisão está tomada e é de apoio à candidatura do independente Aurélio Ferreira, atual presidente do Município.

A decisão, tomada há meses pela Direção Nacional do partido, não foi bem acolhida no seio dos militantes locais, e levou mesmo à demissão de Pedro Roldão, anterior presidente da CPS, como o próprio explicou, em discurso direto, em artigo de opinião publicado no JMG em abril último. Para o agora ex-dirigente, o apoio a Aurélio Ferreira seria um “suicídio político” do qual, afirmou, “não serei cúmplice”.

O PSD da Marinha Grande teve eleições internas a 24 de maio, tendo sido eleitos, além de Carlos Caetano como presidente da CPS, Manuel José Cardoso Santos como vice-presidente, Fernando Sampaio na qualidade de tesoureiro, como secretário Ricardo Oliveira, e como vogais Bárbara Sampaio, Anabela Nobre Salvado, João Silva e Joaquim João Pereira, e ainda havia a possibilidade de concorrer às eleições com listas próprias.

PSD local defendia projeto próprio

No entanto, em comunicado emitido na noite da última segunda feira, 23 de junho, a CPS do PSD da Marinha Grande fez saber que “lhe foi comunicada, pelo Presidente da Comissão Política Distrital, a decisão da Direção Nacional de o partido não apresentar candidatura própria às próximas eleições autárquicas no nosso Concelho, optando por apoiar uma candidatura independente”.

Uma decisão que, embora tomada por um órgão hierarquicamente superior e com legitimidade estatutária para o fazer, “não teve em conta a posição da Concelhia local”. “Chegámos a ser chamados a indicar o nosso candidato - o que fizemos em tempo útil e nos prazos definidos - num gesto que criou a expectativa de uma eventual reavaliação da estratégia por parte dos órgãos de decisão superiores”, referem os órgãos locais do partido.

Contudo, “fomos informados de que tal indicação não seria considerada, por resultar de um “pedido genérico” que deveria ter sido desconsiderado”, ficando “por esclarecer quais os critérios de consideração ou desconsideração aplicados neste processo, embora saibamos interpretar, com clareza, o significado de ambos”.

“Apesar de não estar de acordo com o caminho seguido, a Comissão Política de Secção do PSD da Marinha Grande respeita a decisão tomada, mas dela discorda em absoluto, com frontalidade. Fá-lo com sentido de responsabilidade e lealdade institucional, sem deixar de assinalar que tudo fizemos, desde o primeiro momento, para que o PSD se apresentasse com um projeto próprio e genuinamente focado na nossa terra”, referem os social-democratas marinhenses.

“A nossa posição quanto ao futuro político do Concelho será afirmada em tempo oportuno, com transparência, sem rodeios ou reservas, e em coerência com os princípios que nos guiam”, garantem os órgãos locais que asseguram aos militantes e simpatizantes, que a Comissão Política se manterá “firme, coesa e ativa”.