O alimento do tempo
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- Publicado em Sábado, 10 Setembro 2011 13:53
- Escrito por José António Carreira Santos
Neste rosto já enrugado,
Uma lágrima continua a correr
Por tanto já ter passado
E não conseguir esquecer.
Com essa lágrima me alimento,
Sem ninguém para desabafar
Alivio um pouco o pensamento
Sozinho vale mais chorar.
A idade é cada dia,
Com o recordar vai passando
E neles nasce a companhia
Que aos poucos vamos herdando.
O tempo, esse passou,
E tão pouco já há a fazer
Vou para onde vou
Para muita coisa tentar esquecer.
É esta a desilusão,
De cada dia
É recebida com dor no coração
É como quem come uma sopa fria.
De uma maneira estranha,
Olhas com arrogância para mim
Sei apenas que essa dor me acompanha
Querendo ignorar como vai ser o fim.
Com essa tristeza no pensamento,
Vou ansioso lutando
No tempo que me alimento
Sozinho muitas vezes chorando.
No silêncio de muita noite, madrugada,
Esperando nem sei o quê, solidão
Esta vida não presta para nada
A presença nesta passagem é vida de desilusão.
José António Carreira Santos
Poeta Jardineiro




