Poema - O comércio na Marinha Grande
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- Publicado em Quinta, 09 Junho 2011 16:48
- Escrito por António M. Gomes
Não era aqui que eu queria estar
Era um pouco mais ao lado
Ainda estou para aceitar
Porque fecharam o mercado
Com o espaço que lá tinha
Podia viver à vontade
Mas a política da Marinha
Afastou-me da realidade.
Foi encontro de pais e avós
Muita gente lá conheci,
Foi honra de todos nós
E ratos nunca lá vi!
Agora não vejo ninguém
Não há quem me diga olá
O povo não tem vintém
E eu no deserto do Saara.
Assim vai o meu Portugal
Sem dinheiro para comprar
E o comércio tradicional
A poucos dias de acabar.
A miséria em que vivemos
Neste tempo de amargura
Na verdade já morremos
Mas sem direito a sepultura.
Nasci aqui por acaso
Mas quero deixar marcas
Porque vivo amargurado
Com a inércia dos Autarcas.
Tirem a calçada, façam horta
Matem a fome a toda a gente
Comerciantes, fechem a porta
Entreguem as chaves ao Presidente!




